UFC, 100 patentes e uma lição que vale para todo mundo
Recentemente, o Ultimate Fighting Championship — o famoso UFC — atingiu a marca de 100 patentes deferidas pelo INPI, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A notícia circulou nos bastidores do mundo jurídico e empresarial, mas merece atenção muito além desse nicho.
Afinal, o que uma organização de artes marciais mistas tem a ensinar para quem está abrindo um negócio ou tentando fazer sua marca crescer no Brasil?
Muito mais do que parece.
Propriedade intelectual não é coisa só de multinacional
Existe um mito persistente no empreendedorismo brasileiro: a ideia de que registrar marca, patente ou qualquer ativo intelectual é coisa de empresa grande, com time jurídico e verba sobrando.
O UFC derruba esse mito na prática. A organização chegou a 100 patentes no INPI construindo esse portfólio ao longo do tempo, pedido por pedido. Nenhuma empresa nasce com cem patentes no bolso.
O ponto central é outro: eles levaram a sério desde cedo. E você pode fazer o mesmo — começando pelo ativo mais visível e imediato do seu negócio: a sua marca.
Por que a marca é o primeiro passo
Patentes protegem invenções, processos e tecnologias. São importantes, mas exigem que você tenha algo técnico e novo para registrar.
Já o registro de marca está ao alcance de praticamente qualquer negócio. Se você tem um nome, um logotipo ou um sinal que identifica o que você vende ou oferece — você tem algo para proteger.
E aqui está o problema que muita gente descobre tarde demais: usar uma marca por anos não garante que ela é sua. No Brasil, o sistema é baseado em quem deposita primeiro no INPI, não em quem usou primeiro. Isso significa que outra pessoa pode registrar o nome que você construiu — e aí o caminho para reverter a situação é longo, caro e incerto.
O que acontece quando você deposita o pedido
Assim que você protocola o pedido de registro de marca no INPI, algumas coisas importantes acontecem:
1. Você ganha prioridade e precedência. A data do depósito é a sua âncora. Se alguém tentar registrar uma marca igual ou parecida depois de você, o seu pedido anterior conta a seu favor.
2. Você pode usar o símbolo ™. O ™ (do inglês trademark) sinaliza ao mercado que aquela marca está sendo reivindicada. Ele pode e deve ser usado a partir do depósito — não precisa esperar a aprovação.
3. O processo segue seu curso. O INPI examina o pedido, verifica se a marca atende aos requisitos legais, abre prazo para oposições de terceiros e, se tudo correr bem, concede o registro.
Só após a concessão você pode usar o símbolo ®, que indica registro oficialmente reconhecido. Usar o ® antes disso é irregular — então atenção a esse detalhe.
O processo não é instantâneo — e tudo bem
O registro de marca no INPI leva tempo. O prazo médio varia, e imprevistos podem surgir: exigências do examinador, oposições de concorrentes, necessidade de ajustes no pedido. Isso é normal e faz parte do sistema.
O que não é normal — e que custa caro — é esperar demais para começar.
Cada mês que passa sem um pedido depositado é um mês em que outra pessoa pode chegar na frente. E no mundo digital, onde um concorrente pode surgir em qualquer estado do Brasil, esse risco é real.
Pense assim: o UFC não esperou ter 100 patentes para começar a proteger seus ativos. Começou com uma, depois outra, construindo um portfólio consistente. Sua jornada de proteção intelectual pode começar hoje, com o seu nome ou logo.
O que torna uma marca registrável
Nem todo sinal pode ser registrado. O INPI avalia, principalmente, dois critérios:
- Distintividade: a marca precisa ser capaz de identificar sua origem e se diferenciar de outras. Nomes genéricos ou descritivos demais têm dificuldade de ser aprovados.
- Disponibilidade: não pode colidir com marcas já registradas ou pedidos anteriores na mesma classe de produtos ou serviços.
Por isso, antes de investir em identidade visual, campanhas ou embalagem, vale verificar se a marca que você escolheu está disponível para registro.
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O que o UFC fez que você também pode fazer
Vamos resumir a estratégia que grandes organizações como o UFC aplicam — e que funciona em qualquer escala:
- Identificaram os ativos que precisavam proteger — marcas, tecnologias, processos.
- Depositaram pedidos cedo, mesmo sem certeza de aprovação imediata.
- Construíram o portfólio gradualmente, sem esperar o momento perfeito.
- Levaram a sério a gestão da propriedade intelectual como parte da estratégia de negócio.
Você não precisa de 100 patentes para começar. Precisa de um pedido de registro de marca bem feito, na classe certa, com a documentação adequada.
Registro de marca é custo ou investimento?
Essa pergunta aparece muito — e a resposta é direta: é investimento.
O custo de registrar uma marca é previsível e relativamente acessível (as taxas do INPI variam conforme o porte da empresa e o número de classes solicitadas — consulte os valores atualizados diretamente no site do INPI). Já o custo de não registrar pode ser imprevisível: perda do nome, rebranding emergencial, processos administrativos ou judiciais, e o impacto na reputação construída.
Quando você coloca na balança, proteger a marca desde cedo sempre sai mais barato.
Comece agora — não no trimestre que vem
O UFC chegou a 100 patentes porque alguém, em algum momento, decidiu que o primeiro pedido valia a pena. Aquela decisão, multiplicada ao longo do tempo, construiu um dos portfólios de propriedade intelectual mais robustos do esporte mundial no Brasil.
Sua marca pode não precisar de 100 registros. Mas precisa de um. E o melhor momento para começar é antes que outra pessoa chegue na frente.
Use o ™ com orgulho a partir do depósito. Conquiste o ® com o registro concluído. E construa seu negócio sobre uma base que realmente é sua.
